No fim de fevereiro de 2010 estive na Argentina e pedalei por lá.
Isso foi durante o terremoto no Chile (notícias do dia em jornais do Chile aqui e aqui).
Amigos haviam acabado de chegar de Santiago, onde também pedalaram.
Disseram que em alguns prédios altos da capital argentina se pode sentir o tremor. Em regiões próximas à fronteira, Salta e Mendoza, o tremor foi bem forte e causou estragos.
Primeira coisa foi seguir para o norte da Patagônia, Puerto Madryn.
Na ida, por terra, para conhecer o país, ver suas terras.
O visual para dentro dos pampas, indo para o sul, é plano como não havia visto antes coisa igual. Dá a impressão de estar no meio de um mar absolutamente calmo, tal a planitude da região.
Chegando em Puerto Madryn, usamos a melhor maneira de se conhecer qualquer cidade: alugamos bikes e passeamos por toda a cidade. Em um dia de Sol conhecemos toda Puerto Madryn.
Em toda a cidade via muitas pessoas usando a bicicleta para transporte. Era muito legal ver tantas cycle chics de manhã, irem pro trabalho. Pena não ter uma imagem para vocês.
O mais legal infelizmente a mulher não pode ir: mountain bike pela Patagônia.
Mario Gadda, portenho que abandonou a loucura da cidade grande e agora vive no começo do fim do mundo, mantem um charmoso restaurante e leva turistas para pedalar nas dunas, praias, pedras e campos da Patagônia.
Foi a coisa mais linda que já fiz em cima de uma bicicleta.
O Mário tem toda a estrutura que você vai precisar: a própria bike, todas top de linha, bermudas de ciclista, capacete, uma mochila com bastante água, lanche de trilha, um snorkel (YES! Há lugares para dar um mergulho alí), ferramentas e tudo o mais, e pode levar grupos de até 5 pessoas.
Não é baratinho, mais ou menos uns 250 pesos, depende de quantas pessoas e o trajeto.
Mas vale cada centavo. Depois do passeio, ainda tem um banho e uma refeição: deliciosa pasta da casa e uma taça de vinho ou coca-cola.
Os passeios do Tracción a Sangre não saem de Puerto Madryn, mas sim de Puerto Piramides, vilarejo ao lado.
Fale com o Mario e ele te dará todas as dicas.
Já de volta a BsAs, hora de conhecer melhor a cidade. Bikes, é claro.
Há vários e diversos serviços de bike tour em Buenos Aires. A cidade sabe receber bem o turista.
- Bike Tours
- la bicicleta naranja
- Argentinian Explorer
- Urbanbiking
- até o grupo da Massa Critica pelo Facebook
Alguns desses serviços possuem até 3 saídas TODOS os dias. Não precisa nem agendar com antecedência. Ligue no dia e apareça. Sua bike estará lá te esperando.
As bikes são simples, mas não é necessário uma mountain bike para pedalar nas ruas de Buenos Aires.
Além da cidade ser bem plana, não há os obstáculos com os quais estamos acostumados em São Paulo.
Conhecemos muita coisa que não poderíamos ter visto nem de carro nem a pé. Fiz bike tour em dois dias e foi ótimo.
Melhor seria eu levar minha própria dobrável, e conheceria tudo sem pagar nada.
Os bonairenses ciclistas reclamam do trânsito e dos carros, mas todo mundo reclama, até em Amsterdã. No entanto há diferenças gritantes entre o que vemos em quase todo o Brasil.
Muita gente usa a bicicleta. Existe uma estrutura cicloviária nas cidades e mesmo um respeito ao espaço do cidadão.
As ruas de Bahia Blanca, por exemplo, cidade ao sul de Buenos Aires, tem as calçadas mais largas que as ruas.
Não é legal pensar em ter isso para nós também?
Recentemente foram instaladas ciclovias em algumas ruas da capital, separada da via dos carros por ‘tartarugas’.
Muita gente reclamou (óbvio, entre eles alguns lojistas e os motoristas, clááááro), muita gente desrespeitou. Mas os ciclistas todos usam.
Há as ciclofaixas mais antigas, em algumas avenidas e ruas. Alguns carros estacionam, outros usam a via para se locomover mas são poucos os monstroristas, e me pareceu que os ciclistas não se estressam muito.
Ao lado de grandes vias de acesso, corredores viários, como a Av Del Libertador, existem ciclovias de fato. Entradas e saídas fáceis, seguras e sinalizadas. Lugar bonito esse ao lado da estação Retiro e da Universidade de Buenos Aires de Advocacia.
E nas ruas pequenas, oras, o caminho é compartilhado. Parecem soluções óbvias? Pois é…
Um caos o trânsito de Buenos Aires? Hmm, assim como o de outras capitais da América Latina.
Mas há sim um respeito ao outro, um espírito cidadão que parece perdemos por essas bandas hace muchísimo tiempo.
Ojalá vuelva pronto (tomara que volte logo).

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