O Primeiro Libvee em São Paulo, entre o ruim e o péssimo.

A promessa era grandiosa: uma nova e única experiência, um ‘coletivo de pessoas experimentando’. Muitas surpresas, muita fantasia, coisa e tal.
Bom, no fim é só marketing mesmo.

Um ipê

Gente de fora chegando para ver o movimento

Na hora da inscrição, as primeiras ratas. O texto no site dava a entender que no kit, que deveria ser pego antes do evento, já estaria a bicicleta. Estranhei, pois se sujeito pega a bicicleta antes dificilmente iria no passeio. Pois quando cheguei, vi que o texto era só pegadinha mesmo.

No kit não viria a bicicleta, claro, que seria entregue na hora do evento. No kit, segundo o site ainda, estaria camiseta, capacete, uma pulseira de identificação, mochila, garrafinha e que tais.
A tal mochila, que ainda aparece escrito no site (http://libvee.euvoudebike.com/) não existe. Garrafinha ou que tal, necas também. Não existia ainda a pulseira, que seria entregue somente no evento. E quase não pegamos o capacete, que chegou atrasado.

No dia do evento, cheguei cedo, para evitar a muvuca, dar tempo de pegar a bicicleta com calma e arrumar tudo.
Fazer comparações pode ser um pouco sem sentido, mas não me furto de alguns comentários: no BikeTour (BikeTour de 2010 e Biketour de 2011, no Vá de Bike) existia um gigantesco aparato de marketing, ok, e ainda assim teve muito problema. Mas tinha garrafinha de água, duas bolsas (uma mochila pequena e uma bolsa de guidão) e a bicicleta tinha blocagem no selim e na roda da frente, o que permite os ajustes básicos rapidamente.

Se o desejo da Houston, fabricante e promotora do evento, era divulgar a sua marca, pode ter dado um tiro no pé. A bicicleta é muito básica, o que era de se esperar, mas também não precisava ser tão ruim.

Memorial bem cheio

Memorial bem cheio

Sou precavido e um pouco experiente. Levei comigo ferramentas básicas e uma bomba para os pneus. Mas mesmo os ciclistas mais espevitados não fariam isso. Por isso houve filas enormes para simples apertos em parafusos e encher pneus. E pensando que iria ganhar uma mochila; ainda bem que levei tudo na minha própria mochila.

Memorial muito cheio, todos esperando a hora do passeio

Memorial muito cheio, todos esperando a hora do passeio

Vi muitas bicicletas se despedaçando pelo caminho. Nesse tipo de evento sempre há gente totalmente inexperiente, novato, mas afinal é essa a ideia. E gente assim pode engrupir correntes, mexer nas marchas de maneira totalmente errada, mas não foi isso que vi. Muitas bicicletas simplesmente quebravam, soltavam pedais, guidão (um perigo!).
Em algumas não era possível prender o selim; quase arrebentava o parafuso de tanto apertar e o banco continua solto. Isso não é causado pelo usuário inexperiente!
Eu creio que tive sorte, pois o modelo que veio para a minha mão não teve problemas mais sérios.

A bicicleta da Libvee

A bicicleta da Libvee

Nos blogs da Camila e Mariana elas contam o que sofreram na noite do evento.
Mariana também soltou o verbo em seu Twitter.

Até o Willian Cruz saiu indignado, depois de não poder entrar no Sagrado Coração.

Isso que comentei foi só sobre as bicicletas. Nos blogs e twites do Willian, Camila, Mariana e outros, dá pra ver também sobre a (des)organização geral.

O passeio em si, depois de sair atrasado (e os pobres garotos, que estavam dando um duro pra arrumar aquele monte de bicicleta ainda tiveram que ouvir gritos desses caras, os donos da marca), não teve o roteiro prometido. Acho que faltou metade. Falta de organização? Planejamento? Não sei. No fim, não deu tempo de ver tudo.

Mecânicos trabalhando como loucos para arrumar todos os parafusos

Mecânicos trabalhando como loucos para arrumar todos os parafusos

No começo estranhei muito o fato do passeio ser à noite. Ainda mais para novatos, não sei. Não acho que se aproveite tudo da cidade, a volta é mais complicada, faz frio.. não sei.
Mas pode ser uma maneira de mostrar às pessoas que além de possível, existe uma outra cidade, que muitos não veem.

O mesmo digo sobre termos passado dentro da Cracolândia. Muita gente ali pedalando nem sabia que aquilo existia, e se sabiam não faziam ideia de como era. Ouvi toda sorte de comentários, tanto do ciclista classe-média (‘nossa, pleno domingo e um cara fumando crack na rua!’ ) como dos doentes viciados das ruas (‘pedalar faiz bein! é isso aí, pessoal’). Pode assustar muitos, mas mostra a cidade que vivemos.
Também pode não ser nada disso; pode ser apenas o único trajeto para entrarmos no Sagrado Coração.

Luzes na cidade

Luzes na cidade

Nesse lugar teríamos a primeira parada (acabou sendo a única). Haveria uma surpresa. Foi apenas um canto coral. E dentro da igreja. Eu não entro na igreja e achei aquilo muita desconsideração pelas pessoas que também não entram em igrejas católicas. Se fosse um terreiro de umbanda ou um templo batista, iriam achar normal?
Bom, enfim, os brasileiros somos muito complacentes mesmo, então vamos lá.

Depois de ver muitas outras bicicletas dando problemas, tivemos, nós os ciclistas participantes, que aturar o desrespeito e despreparo dos tais guias. Havia um rapaz no início da turma que eu acho que é guia do SampaBikers. Só gritava e tratava todos com um ‘Ouh’ . Ouh? Isso pra mim é freio de boi. Com as coisas se soltando, muitos pediam ferramentas aos guias, no que era prontamente respondido ‘aqui não tem, vamu vamu vamu!’. Fino.

O tal radinho wi-fi, que também tinha uma promessa de transmitir muita informação sobre a cidade, só tocou música velha. Seria legal dizer às pessoas quando tal edifício foi construído, o que se passou ali, a historia do lugar, afinal não conhecemos a história da nossa cidade. Não, nada disso. Só música velha. Me senti numa festa de república dos meus tempo de faculdade (não me pergunte quando foi isso, mas havia vinil do Secos e Molhados e Mutantes)

Voltei pedalando pra casa. Acho que o Metrô deve ter ficado bem lotado de bicicletas. Quando estava passando em frente ao Shopping Santa Cruz, vi ciclistas saindo do Metrô com a bicicletinha branca da Libvee. Tá com pressa? vá de bike.

Não foi também um show de horrores. Muita gente se divertiu, nem todas as bikes se desmancharam, e muitos se encontraram. Era a primeira vez que muitos ali pedalavam na cidade, outros no centro da cidade, e outros tantos à noite. Eu encontrei amigos de longa data. Espero que as experiências ruins da Camila e da Mariana tenham sido exceção.

La puesta del Sol en el Memorial

La puesta del Sol en el Memorial

Desejo mesmo, desejo muito, que a Houston e muitas outras organizações façam e promovam passeios assim. A hora da bicicleta chegou e devemos nos incluir na cidade. Mas espero com a mesma força que as coisas sejam feitas com mais carinho, mais planejamento.

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3 respostas a O Primeiro Libvee em São Paulo, entre o ruim e o péssimo.

  1. Pois é… como disse a uma pessoa: o problema maior não foi exatamente os problemas que aconteceram. E sim a falta de estrutura para resolve-los.

    Ainda estou aguardando a organização nos enviar um email de “desculpas” rss

    Será?

    Obrigada pelo link ao meu blog, vou indicar o seu por lá!

    abraços!

    Mariana Pelozio

    http://www.eutenhopes.blogspot.com

  2. Wlad disse:

    Não só não veio nenhuma desculpa (e eles leram nossos blogs e twittes) como nos blogs do @euvoudebike e do #Libvee não há nenhum comentário, nem que sim nem que não muito pelo contrário…
    É…

  3. Wlad disse:

    Opa! novidadades! Acabo de receber um email da Equipe Libvee, dando conta que haverá um encontro no Memorial, no mesmo lugar de onde saímos para o passeio, onde uma equipe de mecânicos da Houston fará ajustes e reparos nas bicicletas.

    Se você está com problemas na sua bicicleta, leve e faça todos os ajustes necessários, desde apertar o parafuso do pezinho até regulagem de freios e câmbio.

    Logo terei um post novo falando sobre isso. Legal a atitude da equipe Libvee, que ouviu os ciclistas e percebeu que algo deveria ser feito. Muito bom.

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