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Rota Cicloturística Márcia Prado

15, dezembro, 2009

 

Rota Márcia Prado

Rota Márcia Prado

 

Nesse sábado será inaugurada a Rota Ciclística Márcia Prado.

Muitos ciclistas estão trabalhando nisso faz tempo. O Instituto CicloBR, com o André Pasqualini, esteve à frente da organização disso, junto a outras entidades públicas.

A própria Márcia, que dá o nome para o trajeto como uma homenagem, esteve entre os ciclistas que ajudaram a desbravar os caminhos por esse pedacinho de Mata Atlântica. Nesse texto do André você encontra um emocionante relato do encontro de ciclistas que desceram a Imigrantes, na última viagem que Márcia fez com eles.

Normalmente os paulistas só conseguem ver um pouquinho da Mata de dentro de seus carros, quando descem a Serra. Estar alí, no meio do mato e sentir o seu cheiro, escutar seus ruídos, poder ver de perto os animais.. não existe nada que se pareça à experiência real.

Eu já desci a Serra de bicicleta por vários caminhos; pela Estrada Velha, pela Calçada do Lorena, pela Estrada da Manutenção.. é sempre ótimo, e difícil pensar que estamos tão perto dessa cidade gigantesca e cinza.

O trajeto começa na Estação da CPTM do Grajaú, passa por São Bernardo do Campo, Cubatão e termina em Santos, passando em grande parte dentro do Parque da Serra do Mar, e no total tem 77 km.

Apesar de descer a Serra, existem subidas pelo caminho.
Eu recomendo que a Rota seja percorrida de bicicleta apenas por quem tem um mínimo de experiências em trilhas de mountain bike, tanto no preparo físico como no técnico. Não é nada muito difícil, já que quase todo o trajeto é sobre asfalto e sem subidas fortes ou descidas muito técnicas. Mas pode não ser prazeiroso para quem nunca fez passeios de bike.

Além disso, o ciclista deve prever por sua conta como fará depois para subir a Serra. Na rodoviária de Santos, as empresas estão acostumadas a receber ciclistas; guardam as bikes no bagageiro e vão todos para o Terminal Jabaquara.

Veja aqui nesses links mais informações para você poder curtir a Rota Cicloturística Márcia Prado:

 

 

Wlad Sem categoria

Imprensa burra, leitores tacanhos

6, novembro, 2009

 

Joseph Pulitzer: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.”

 

Wlad Sem categoria

Vuelvo al Sur

6, outubro, 2009

Compositor: Astor Piazzola – Fernando Solanas

Vuelvo al Sur de Astor Piazzolla - Gotan Project

Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor
vuelvo a vos
con mi deseo, con mi temor

Llego al Sur
como un destino del corazón
soy del Sur
como los aires del bandoneón

Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al revés
busco el Sur
el tiempo abierto, y su después.

Quiero el Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.

Vuelvo al Sur,
llego al sur
te quiero

Wlad Sem categoria

O sapo cor de rosa

4, junho, 2009

O diretor de arte chegou às 10:30h. Óculos escuros, cabelo molhado. A
menina do atendimento, desesperada, já estava na criação cobrando os
anúncios.

– Pelamordedeus! O cliente vai viajar hoje à tarde e quer ver os
layouts pra poder mostrar para o diretor internacional que vai ter uma
reunião com a coordenação da América Latina e eu vou me ferrar porque
todo mundo tira o corpo fora!

O diretor de arte não tinha ainda achado aquela sacada gráfica, entende?

– Pelamordedeus! Pelamordedeus! Pelamordedeus!

O diretor de arte, sem tirar os óculos nem dizer palavra, senta na
frente do computador pensando:
“Que saco, só um mês de prazo, o redator fez os títulos só há duas
semanas, assim não dá pra trabalhar”.
Quinze minutos depois, os layouts estão saindo da impressora. O
redator vê os anúncios e comenta:

– Por que um sapo cor-de-rosa?

– Sei lá, é uma imagem bonita, instigante… – diz o jovem diretor de
arte.

– Mas o anúncio é de eletrodoméstico. Que é que tem a ver?

O diretor de arte não queria entregar que não pensou em nada e que
aquele sapo era a única imagem que tinha no arquivo do computador, mas
nem deu tempo de ele inventar uma justificativa.

– Daquí esse troço que eu tô com pressa.

No caminho do cliente, no carro, o diretor de atendimento vê pela
primeira vez os anúncios para poder dizer na reunião que tinha
acompanhado o processo criativo todo, inclusive direcionado a criação
para não perder o foco da campanha e dar destaque ao sapo cor-de-rosa.
Sapo cor-de-rosa?

– Que droga é essa de sapo cor-de-rosa aqui nesse anúncio!?

– Sei lá, foi a criação que fez, eu não sei de nada, só cobrei os caras.

O diretor de atendimento não podia jogar fora o anúncio, era o único
em que o título fazia uma vaga menção ao produto. Teve que pensar em
uma saída. Chegaram ao cliente, uma imensa multinacional. Estão na
sala de reunião com toda a equipe de marketing da empresa. O diretor
de atendimento, uma velha raposa, apresenta o layout do sapo rosa
falando da necessidade de um property para a marca e a importância do
impacto que a comunicação deve ter junto às donas de casa, que uma
imagem altamente diferenciada não permite a indiferença do público
alvo e que um sapo, com certeza, sensibiliza a donas de casa de
qualquer classe, e que o fato de ele ser rosa (uma cor altamente
ligada ao universo feminino) anularia toda a imagem negativa do
anúncio em questão.

– Seja o que Deus quiser.

O diretor de marketing da multi ouviu tudo sem mudar sua expressão de
jogador de pôquer. Houve aquela pausa que prenuncia hecatombes.

– O que vocês acham? – perguntou o chefâo de marketing para seus
comparsas. As respostas vieram pela ordem crescente na hierarquia local:

- Um pouco estranho.

- Bem estranho.

- Estranho é apelido.

- É sem dúvida a coisa mais estranha do mundo.

- Uma merda.

- Eu até que gostei do sapo cor-de-rosa – disse o chefão de marketing.

As mudanças de opinião seguiram a ordem decrescente.

- Uma merda que pode dar certo.

- Sem dúvida se é a coisa mais estranha do mundo é porque tem um certo
appeal racional, algo de especial.

- Especial é apelido.

- Bem especial.

- Ainda acho um pouco estranho – disse o mais baixo na hierarquia, que
por manter sempre sua opinião foi despedido alguns meses depois.

No final valeu democraticamente a lei do mais forte. E o diretor de
atendimento voltou para a agência pensando por que raios o chefão do
marketing gostou do sapo cor-de-rosa. “Será que a idéia é boa? Não,
não, impossível sair coisa boa da criação. Por que o chefão gostou? Na
verdade eu é que sou um puta vendedor. Eu sou foda.” Na verdade, o
chefao de marketing não sabia por que raios tinha aprovado aquele
anúncio do sapo cor-de-rosa. Ele estava divagando sobre sua casa de
campo, pensando como era gostosa aquela menina da agência que fala
rápido, não prestou muita atenção no que o cara da agência falava.
Mas, para falar tanto, ele devia estar falando coisas importantes. Não
pegava bem passar por ignorante na frente de seus subalternos. E agora
o chefâo de marketing está num avião, levando numa pasta branca de
papel-cartão um sapo cor-de-rosa, que deve ser apresentado para um
chefe que é mais chefe que ele. “Vou ter que enrolar os gringos”, pensou.
A reunião com o pessoal da América Latina começou com um clima tenso.
Nenhum dos diretores de marketing dos vários países onde a empresa
atuava tinha um trabalho decente para mostrar. Quando o diretor de
marketing do Brasil mostrou o anúncio do sapo cor-de-rosa foi um
alívio geral. Todo mundo começou a apoiar a idéia do brasileiro, pelo
menos assim ninguém precisava justificar seu próprio fracasso.

– Me gusta mucho el sapo rosado.

– Sin duda tenemos un simbol.

O coordenador de marketing para toda a América Latina – o big-boss de
todo mundo ali – não falava bem castelhano. O big-boss dos cucarachas,
como secretamente se autodenominava o coordenador de marketing para
toda a América Latina, telefonou para a matriz no dia seguinte dizendo
que havia unanimidade em torno de um conceito- Amazing concept-
desenvolvido pelo marketing de Buenos Aires, ou será de Caracas? – I
don’t know, só sei que é de um lugar do Brazil. O anúncio do sapo
cor-de-rosa e o big-boss dos cucarachas estavam a caminho da matriz,
em Atlanta. O chefão estava tranqüilo em relação ao sapo. Todos os
diretores de marketing da América Latina haviam feito reports provando
a viabilidade da estranha personagem anfíbia. Que os reports foram
feitos para agradar a ele, o big-boss, ninguém contou. Nos reports
havia números, e números fazem até um sapo cor-de-rosa existir.
O coordenador de marketing para toda a América Latina entrou às 8:00h
na sala do seu chefe, que estava reunido com toda a presidência da
grande empresa multinacional de eletrodomésticos. Debaixo do braço, um
sapo cor-de-rosa. Reunião de portas fechadas. As 8:05h a secretária
escutou alguém gritar na sala:

– What a hell is that??!!??

Passaram-se seis meses.

O diretor de arte chegou à 11:00h. Óculos escuros, cabelo molhado. A
menina do atendimento havia deixado um grosso fichário na mesa da
dupla de criação. Na capa do fichário lia-se: The Pink Frog. No
fichário havia todas as normas de utilização do Pink Frog. O tipo de
sapo que deve ser utilizado, qual a tonalidade do cor-de-rosa, as
melhores posições em que deve ser fotografado, a proporção que deve
ter o sapo, perdão, o Pink Frog, em relação ao formato do anúncio.
Havia até a recomendação de que se usassem sapos vivos e que se
pintasse o sapo por computador para evitar problemas com os
ecologistas. O sapo foi completamente dissecado em duzentas páginas.
Por conta do sapo cor-de-rosa, muita gente foi promovida, tanto no
cliente quanto na agência.

– Puxa que legal! Eu sempre quis ser diretora de contas e mandar
nesses babacas!

Todo mundo se deu bem, menos o diretor de arte. Parece que o cliente
pediu a cabeça dele porque ele não seguiu as normas de aplicação do
Pink Frog, e colocou em risco a seriedade do marketing do cliente.

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