O Primeiro Libvee em São Paulo, entre o ruim e o péssimo.

A promessa era grandiosa: uma nova e única experiência, um ‘coletivo de pessoas experimentando’. Muitas surpresas, muita fantasia, coisa e tal.
Bom, no fim é só marketing mesmo.

Um ipê

Gente de fora chegando para ver o movimento

Na hora da inscrição, as primeiras ratas. O texto no site dava a entender que no kit, que deveria ser pego antes do evento, já estaria a bicicleta. Estranhei, pois se sujeito pega a bicicleta antes dificilmente iria no passeio. Pois quando cheguei, vi que o texto era só pegadinha mesmo.

No kit não viria a bicicleta, claro, que seria entregue na hora do evento. No kit, segundo o site ainda, estaria camiseta, capacete, uma pulseira de identificação, mochila, garrafinha e que tais.
A tal mochila, que ainda aparece escrito no site (http://libvee.euvoudebike.com/) não existe. Garrafinha ou que tal, necas também. Não existia ainda a pulseira, que seria entregue somente no evento. E quase não pegamos o capacete, que chegou atrasado.

No dia do evento, cheguei cedo, para evitar a muvuca, dar tempo de pegar a bicicleta com calma e arrumar tudo.
Fazer comparações pode ser um pouco sem sentido, mas não me furto de alguns comentários: no BikeTour (BikeTour de 2010 e Biketour de 2011, no Vá de Bike) existia um gigantesco aparato de marketing, ok, e ainda assim teve muito problema. Mas tinha garrafinha de água, duas bolsas (uma mochila pequena e uma bolsa de guidão) e a bicicleta tinha blocagem no selim e na roda da frente, o que permite os ajustes básicos rapidamente.

Se o desejo da Houston, fabricante e promotora do evento, era divulgar a sua marca, pode ter dado um tiro no pé. A bicicleta é muito básica, o que era de se esperar, mas também não precisava ser tão ruim.

Memorial bem cheio

Memorial bem cheio

Sou precavido e um pouco experiente. Levei comigo ferramentas básicas e uma bomba para os pneus. Mas mesmo os ciclistas mais espevitados não fariam isso. Por isso houve filas enormes para simples apertos em parafusos e encher pneus. E pensando que iria ganhar uma mochila; ainda bem que levei tudo na minha própria mochila.

Memorial muito cheio, todos esperando a hora do passeio

Memorial muito cheio, todos esperando a hora do passeio

Vi muitas bicicletas se despedaçando pelo caminho. Nesse tipo de evento sempre há gente totalmente inexperiente, novato, mas afinal é essa a ideia. E gente assim pode engrupir correntes, mexer nas marchas de maneira totalmente errada, mas não foi isso que vi. Muitas bicicletas simplesmente quebravam, soltavam pedais, guidão (um perigo!).
Em algumas não era possível prender o selim; quase arrebentava o parafuso de tanto apertar e o banco continua solto. Isso não é causado pelo usuário inexperiente!
Eu creio que tive sorte, pois o modelo que veio para a minha mão não teve problemas mais sérios.

A bicicleta da Libvee

A bicicleta da Libvee

Nos blogs da Camila e Mariana elas contam o que sofreram na noite do evento.
Mariana também soltou o verbo em seu Twitter.

Até o Willian Cruz saiu indignado, depois de não poder entrar no Sagrado Coração.

Isso que comentei foi só sobre as bicicletas. Nos blogs e twites do Willian, Camila, Mariana e outros, dá pra ver também sobre a (des)organização geral.

O passeio em si, depois de sair atrasado (e os pobres garotos, que estavam dando um duro pra arrumar aquele monte de bicicleta ainda tiveram que ouvir gritos desses caras, os donos da marca), não teve o roteiro prometido. Acho que faltou metade. Falta de organização? Planejamento? Não sei. No fim, não deu tempo de ver tudo.

Mecânicos trabalhando como loucos para arrumar todos os parafusos

Mecânicos trabalhando como loucos para arrumar todos os parafusos

No começo estranhei muito o fato do passeio ser à noite. Ainda mais para novatos, não sei. Não acho que se aproveite tudo da cidade, a volta é mais complicada, faz frio.. não sei.
Mas pode ser uma maneira de mostrar às pessoas que além de possível, existe uma outra cidade, que muitos não veem.

O mesmo digo sobre termos passado dentro da Cracolândia. Muita gente ali pedalando nem sabia que aquilo existia, e se sabiam não faziam ideia de como era. Ouvi toda sorte de comentários, tanto do ciclista classe-média (‘nossa, pleno domingo e um cara fumando crack na rua!’ ) como dos doentes viciados das ruas (‘pedalar faiz bein! é isso aí, pessoal’). Pode assustar muitos, mas mostra a cidade que vivemos.
Também pode não ser nada disso; pode ser apenas o único trajeto para entrarmos no Sagrado Coração.

Luzes na cidade

Luzes na cidade

Nesse lugar teríamos a primeira parada (acabou sendo a única). Haveria uma surpresa. Foi apenas um canto coral. E dentro da igreja. Eu não entro na igreja e achei aquilo muita desconsideração pelas pessoas que também não entram em igrejas católicas. Se fosse um terreiro de umbanda ou um templo batista, iriam achar normal?
Bom, enfim, os brasileiros somos muito complacentes mesmo, então vamos lá.

Depois de ver muitas outras bicicletas dando problemas, tivemos, nós os ciclistas participantes, que aturar o desrespeito e despreparo dos tais guias. Havia um rapaz no início da turma que eu acho que é guia do SampaBikers. Só gritava e tratava todos com um ‘Ouh’ . Ouh? Isso pra mim é freio de boi. Com as coisas se soltando, muitos pediam ferramentas aos guias, no que era prontamente respondido ‘aqui não tem, vamu vamu vamu!’. Fino.

O tal radinho wi-fi, que também tinha uma promessa de transmitir muita informação sobre a cidade, só tocou música velha. Seria legal dizer às pessoas quando tal edifício foi construído, o que se passou ali, a historia do lugar, afinal não conhecemos a história da nossa cidade. Não, nada disso. Só música velha. Me senti numa festa de república dos meus tempo de faculdade (não me pergunte quando foi isso, mas havia vinil do Secos e Molhados e Mutantes)

Voltei pedalando pra casa. Acho que o Metrô deve ter ficado bem lotado de bicicletas. Quando estava passando em frente ao Shopping Santa Cruz, vi ciclistas saindo do Metrô com a bicicletinha branca da Libvee. Tá com pressa? vá de bike.

Não foi também um show de horrores. Muita gente se divertiu, nem todas as bikes se desmancharam, e muitos se encontraram. Era a primeira vez que muitos ali pedalavam na cidade, outros no centro da cidade, e outros tantos à noite. Eu encontrei amigos de longa data. Espero que as experiências ruins da Camila e da Mariana tenham sido exceção.

La puesta del Sol en el Memorial

La puesta del Sol en el Memorial

Desejo mesmo, desejo muito, que a Houston e muitas outras organizações façam e promovam passeios assim. A hora da bicicleta chegou e devemos nos incluir na cidade. Mas espero com a mesma força que as coisas sejam feitas com mais carinho, mais planejamento.

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Caos no transporte

Eu me locomovo todos os dias na cidade de São Paulo usando exclusivamente a bicicleta. Conheço muita gente que utiliza o carro e que poderia trocar pela bike. Alguns moram tão perto do destiho que uma caminhada de 15 minutos resolveria. Mas preferem continuar na zona de conforto.

No entanto eu seria hipócrita ou demagogo se fosse advogar o uso de bicicleta para todas as pessoas. Trabalho com pessoas que moram a 30, 40 quilômetros, ou até mais. O trajeto é proibitivo para bikes, pela distância e dificuldade do caminho até para o atleta mais experiente. Seria o ideal que essa pessoa pudesse fazer parte do trajeto com sua bicicleta, e o restante pudesse usar o transporte público. Outras pessoas tem restrições pela idade ou condições especiais, também não podem usar uma bicicleta.

É exatamente esse o ponto. Nosso transporte público é aviltante. Os meus amigos que trabalham comigo e que vivem longe do local de trabalho são obrigados a enfrentar essa violência todos os dias.

Confira nessa lista, preparada pela MariaFro, a série de reportagens que foi ao ar pela TV Record, feitas pelo Luiz Carlos Azenha.

Cuidado ao reclamar por aí, mesmo que você, como cidadão tenha os seus direitos violados: a polícia pode chegar batendo, e muito, e jogar gás de pimenta (proibido pela Convenção de Genebra) na sua cara.

Esse post tem muito a ver sim com bicicleta. Tem a ver com mobilidade urbana, com cidadania, com respeito. Um dos motivos pelos quais os ônibus andam devagar nas ruas é por que essas ruas estão cheias de carros, com uma única pessoa dentro. Se os transportes públicos fossem decentes em São Paulo, além das próprias pessoas, haveriam maneiras de transportar ou guardar a bicicleta nas estações de trens e Metrô. O que existe não supre a demanda.

Além de respeito nas ruas, precisamos pensar e propor uma nova urbis, uma cidade humana. Ao colocar seu voto nas urnas nas próximas eleições será o momento para pensar muito a respeito, mas já é possível fazer algo agora.

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Como pedalar na cidade com chuva

Todo ciclista urbano tem que estar preparado para a chuva.
Ela sempre vem, uma hora chega. Em São Paulo chega a ser uma companhia constante em alguns períodos.

Ao se proteger, você não irá evitar de se molhar. Mas ao menos estará pronto para a chuva, suas coisas estarão seguras, e irá evitar que a água escorra por dentro de suas roupas.
Confira as dicas a seguir, adapte o que for necessário para você (cada ciclista tem um jeito, uma maneira de fazer as coisas).

Quase tudo que mostro é fruto de experiência própria pedalando nas ruas de São Paulo. O resto aprendi com outros ciclistas experientes que vieram antes de mim.
E não deixe de enviar seus comentários e contribuições, bem como perguntas e dúvidas. Os ciclistas da cidade sempre nos ajudamos uns aos outros.

(clique nas fotos para ampliar)

01 - paralamas

Item muito importante na bicicleta são os paralamas. Como eu uso a bike sempre como transporte, nem tiro os meus, pois além de proteger da água da chuva, evitam também a água de poças e valetas. Depois da primeira chuva, você descobre como são importantes.

02 - paralamas

Eu uso bagageiro, por isso não tenho um paralama na roda traseira. Mas somente o bagageiro não é o suficiente, a menos que esteja todo fechado com plásticos ou coisa parecida. Eu uso sempre uma bolsa, como mostro a seguir.

 

03 - bolsa traseira

Para dividir o peso e carga com a mochila, em uma pequena bolsa presa no bagageiro levo parte da roupa (calças e às vezes sapatos) e ferramentas. Se você tiver um daqueles alforges ou bolsa própria para bagageiros, será muito mais fácil.

04 - bolsa traseira

As calças e qualquer outra coisa que vá na bolsa ou mochila devem ir em dois saquinhos. Mesmo quando não há chuva, eu tenho por costume colocar as calças em dois saquinhos. Ainda mais na bolsa do bagageiro: estará recebendo água por cima e por baixo; melhor proteger. Proteger as ferramentas é garantir vida longa às mesmas.

 

04b - saquinhos

Por isso guarde sempre os saquinhos arrumadinhos com você. Dobradinhos ocupam um espaço mínimo. Tenha sempre na mochila.

05 - bolsa traseira

Está aí a bolsa, devidamente amarrada. Uma vez o elástico se rompeu e minha bolsa caiu, e perdi a calça e ferramentas; por isso, sempre passo a alça pelo canote. Como quase sempre estou com a bolsa, uso a luz vermelha presa no bagageiro, já que no canote não teria como.

 

06 - roupa

Com chuva o ideal é usar a menor quantidade de roupa possível, bem como evitar roupas de algodão. Apenas roupas de tecidos técnicos é o ideal. Mesmo que esteja frio, tente usar a bermuda curta; assim você não ficará encharcado enquanto pedala. A roupa que você precisa usar no trabalho deve ir protegida na bolsa e mochila.

07 - roupa de baixo

Roupa de baixo normalmente já é dispensável com uso de bermudas de ciclista. Nos dias de chuva é que você deve evitar mesmo cuecas ou calcinhas. As bermudas de ciclista, feitas com tecido técnico, secam rápido. Pedalar com os ‘fundilhos’ molhados é tão ruim quanto com os pés encharcados.

 

08 - luva dedo fechado

Evite luvas de dedo fechado. Com a chuva, ficarão encharcadas e suas mãos ficarão mais frias. Tente usar as de dedo aberto; só não fique sem luvas, pois evitam bolhas, machucados mais graves numa queda e dão uma pegada no guidão muito superior.

09 - luvas e meias sobressalentes

Se você tiver um par extra de luvas, leve-o com suas roupas, mais um par de meias também. Na volta, você irá se agradecer por poder usar luvas secas; idem para as meias. Adiante dou a dica para proteger os pés.

 

10 - sapatilha

Se sua sapatilha se parece com um tênis ou se você usa mesmo um tênis comum, seus pés irão se encharcar fácil, mesmo com pouca chuva, pois esse tipo de calçado usa muito tecido. Pedalar com os sapatos cheios de água é muito ruim, uma das piores sensações, mesmo no calor. Veja essa dica simples para proteger os pés num dia de chuva…

11 - sapatilha

Se o seu pé não for enorme, sacolinhas de mercado comum irão servir. Se você tem um pé gigante terá que encontrar sacos maiores para uma proteção adequada. Em cada um dos pés deverão ser usados dois saquinhos. Uma única sacolhinha irá deixar a água entrar.

 

12 - sapatilha

Coloque a ponta do pé no canto da sacolinha, para poder aproveitar melhor o comprimento da mesma. Passe uma alça por dentro da outra.

13 - sapatilha

Dê a volta pela frente do tornozelo, e passe de novo cada ponta da alça uma dentro da outra.

 

14 - sapatilha

Siga entrelaçando as pontas das alças. Importante!!!: nenhum nó é necessário. Simplesmente passe uma alça dentro da outra algumas vezes.

15 - sapatilha

Ao colocar a segunda sacolinha, intercale o canto do fundo. Por ex., se colocou a primeira no canto esquerdo, coloque a segunda no direito.

 

16 - sapatilha

Melhor fazer com que no pé esquerdo a segunda sacola fique no canto direito e vice-versa. Dessa forma, você deixa o excesso de plástico do lado de fora, longe do pedal e da corrente.

17 - sapatilha

Veja o detalhe da alça passando por dentro da outra; vire uma delas e passe por dentro de novo.

 

18 - sapatilha

Depois de algumas vezes, a ‘corrente’ se mantém presa sozinha. Assim você NÃO PRECISA DAR NÓ. Se der um nó nos laços ficará muito difícil retirar os saquinhos e será necessário destruir a sacolinha.

19 - sapatilha

Assim que terminar um dos pés, dobre bem o plástico e retire o excesso de ar.

 

20 - sapatilha

Somente dois elásticos bastam pra segurar tudo no pé.

21 - sapatilha

Você pode encontrar uma dessas galochas de motoqueiro, mas são pesadas, não deixam você usar o clip ou o taquinho e a água vai entrar nelas. Também não encontrei uma daquelas polainas de ciclistas impermeáveis (ainda… Veja nos comentário a dica da Sylvia!!); isso seria o ideal, pois colocar esses saquinhos requer um pouco de paciência e tempo.

 

22 - sapatilha

Se o laço for dado simplesmente passando uma alça dentro da outra, basta puxar um pouco para tudo abrir.

23 - sapatilha

Importante! Não use muita pressão, apertando demais. Se estiver apertado, em meia hora de pedal seu pé vai inchar, e o tornozelo ficará marcado e machucado. Basta colocar direitinho que a água não entra.

 

O Mercadinho não patrocinou o post, naturalmente. Mas fiz questão se usar uma sacolinha dessas para mostrar que qualquer sacola de supermercado serve.

24 - sapatilha

Se estiver de calça comprida, não deixe que a barra passe por dentro do saquinho. A calça fica molhada, a água passa pelo tecido dentro do plástico, molhando a meia e logo depois o pé inteiro estará encharcado. Acredite.

25 - sapatilha

Dobre a barra da calça, de modo que esta fique totalmente fora do laço das sacolinhas, e também deixe a meia dobrada para baixo (melhor usar daquelas bem curtinhas, tipo meia sapatilha).

 

26 - sapatilha

Você pode ficar com uma aparência um pouco estranha, mas só enquanto estiver fora da chuva e desmontado da bicicleta. Lá fora, pedalando debaixo d’água, te agarantio, será suuuper normal.

27 - sapatilha

Cheguei a enfiar o pé em correntezas fortes, em valetas e sarjetas, com chuva forte, e meus pés ficaram secos. Como disse, fazer isso pode levar uns minutos a mais e exige sua paciência, mas é muito barato e reutilizável.

 

28 - elásticos

Por isso, pareço um office boy: sempre tenho elásticos (e saquinhos) comigo.

29 - sapatilha

Se sua sapatilha for desse tipo, ela pode ter mais componentes sintéticos, não-tecido, exigindo assim menos proteção, já que ela secará muito mais rápido que um tênis de pano. Mas não deixo de usar as sacolinhas para evitar o pé encharcado e manter as meias secas.

 

30 - sapatilha

Coloque os elásticos de modo a não passarem por cima do taquinho. O uso das sacolinhas não irá impedir a trava do SPD.

31 - sapatilha

O pé vai ficar seco e protegido, mas se você não usa taquinho SPD cuidado, pois o plástico desliza e não é nada aderente, nem no chão nem no pedal. Você terá que avaliar se vale a pena manter o pé seco e perder essa aderência. Se estiver clipado, não há problema nenhum.

 

32 - sapatilha

Prender a sapatilha e soltar do pedal SPD durante o trajeto não irá destruir a sacolinha. Ela vai durar muito tempo, e dá fácil para você reaproveitar para a volta e até para o dia seguinte. Seja consciente na hora de usar a sacola plástica!

33 - coisas pra mochila

Eu ainda tenho que carregar comigo o resto da roupa (a calça deixo na bolsa do bagageiro), documentos, eletrônicos, celular… nada disso pode molhar. Hora de pegar mais sacolinhas.

 

34 - coisas no saco

Coloque tudo dentro dos saquinhos. Se houver documentos ou outras folhas maiores que não podem dobrar, certifique-se de proteger bem.

35 - coisas no saco

Use sempre dois saquinhos. Debaixo de uma chuva forte, melhor se garantir que confiar que a água não entra na mochila. Lembre-se: experiência própria.

 

36 - saquinho pra mochila

Pacotinhos bem feitos garantem a integridade das suas coisas, e você vai pra chuva sem medo.

37 - saquinho na mochila

Só não esqueça dentro de um desses pacotinhos algo que você irá precisar quando chegar no trabalho, na escola ou em casa, como a chave, o crachá ou ainda um trocado ($$). Para isso use saquinhos pequenos nas bolsas menores da sua mochila ou pochete.

 

38 - mochila com saco

Pronto, suas coisas protegidas e em segurança.

39 - mochila maior

Existem mochilas específicas para uso por ciclistas. A anterior é uma Kailash, já bem usada (me acompanhou por quase uma década, a danada), e essa é uma Deuter. Espero que dure mais uma década. Quanto tempo dura um carro?

 

40 - mochila protegida

Para aumentar a proteção, você pode usar uma capa impermeável de mochila. Além de proteger o que está dentro, evita que a própria mochila fique encharcada. A água na mochila encharcada é um peso considerável que você carregaria à toa, além dos respingos no carpete do escritório.

41 - mochila com proteção

Esse modelo da Deuter já vem com uma capa. Basta abrir o zíper, puxá-la para fora e proteger a mochila.

 

42 - mochila com proteção

Depois secar, dobrar e guardar. Muito prático. Capas para mochilas são vendidas em lojas de material esportivo ou você pode improvisar com um grande plástico.

43 - jaqueta chuva

Se lá fora houver apenas uma leve garoa, uma simples jaqueta ou anorak servem. Lembre-se de tentar usar a menor quantidade de roupa, para evitar menos água presa ao seu corpo.

 

44 - capa de chuva

Mas se há chuva de verdade, use uma capa de chuva mesmo. Essa aí é uma daquelas de 3 reais, que qualquer banca de jornais vende. Há capas especiais para ciclistas, mas são BEEMMM mais caras que esses R$ 3, apesar de protegerem quase da mesma forma. A diferença está na mobilidade que elas darão.

45 - capacete sobre capa

Coloque o capuz da capa de chuva primeiro, depois o capacete. Prendendo direitinho, não entrará água pelas costas nem escorrerá pela cabeça.

 

46 - luvas no final

Calce as luvas sempre no final. Para essa operação toda é necessário ter toda a habilidade dos dedos.

47 - conferindo movimentos

Monte na bike e confira se nada está apertando ou repuxando. Vire a cabeça, mexa o corpo, estique os braços. Acerte a posição da mochila e da capa. As capas de motoqueiros não são adequadas, pois são pesadas e tiram o movimento que o ciclista precisa ter.

 

48 - pronto pra pedalar

Pronto pra enfrentar as ruas da cidade com chuva e muita água. Assim como carros nas estradas, em dias de chuva use sempre a iluminação, os pisca-pisca vermelhos, mesmo de dia. Motoristas são seres limítrofes e bastante incapazes; ajude para que eles te vejam (sério, mesmo com essa roupa de astronauta, amarelo berrante-cheguei e luzes vermelhas piscando na cabeça e bagageiro, sempre escuto um ‘não te vi!’)

49 - pedalando protegido

Bora pedalar, galera! Ou você é feito de açúcar?

 

50 - capa pra secar

Quando chegar na escola ou no trampo, deixe a capa secando junto à bike. Você nunca vai saber se na volta terá chuva também (Em São Paulo, é o mais provável). Na dúvida, levo a minha capa na mochila sempre comigo, não importa a época do ano.

51 - dobrando capa

Há uma maneira certa para dobrar a capa, senão você terá um pacotão desajeitado de plástico. Quando abrir a capa recém-comprada, confira como são as dobras. Para dobrá-la novamente, depois de seca, estique e dobre ao meio, juntando as pontas das mangas. O truque está em saber fazer as dobras no capuz, de modo que fique como na foto.

 

52 - dobrando capa

O capuz é dobrado dentro dele próprio. Em seguida, dobre o mesmo e as mangas para cima do corpo da capa.

53 - dobrando capa

Dobre tudo no meio, pelo comprimento.

 

54 - dobrando capa

Vá dobrando agora aos poucos…

55 - capa dobrada

Pronto! Não precisa ficar igualzinho ao pacote original, mas assim cabe fácil na sua mochila, sem ocupar espaço.

 

Qualquer que seja a capa, das mais simples às específicas para ciclistas, mantenha-a sempre limpa e seca. Pedalando com esse plástico totalmente impermeável sobre a pele você irá suar, mesmo que esteja frio. E depois de algumas pedaladas a capa terá o cheiro de cavalo, típico de ciclistas (argh!). Cuidando bem, a capa pode durar muito. Mesmo essas mais baratinhas comigo chegam a durar meses.

Ao chegar ao trabalho ou escola, ou depois que retornar para casa, deixe sempre tudo secando. Se precisar secar as luvas, por ex., pode deixá-las presas na grade da geladeira: solução dos tempos de antanho. Para evitar ter que colocar os tênis atrás da geladeira também, use os saquinhos nos pés.

Antes de começar a trabalhar, leve a roupa seca com você e troque-se no banheiro. Depois de um pouco de higiene pessoal, que pode envolver o uso de papel toalha, você estará novinho e pronto pra trabalhar, e FELIZ! Já seus amigos, que foram de carro, não estarão rindo e felizes como você.
Aqui as dicas são parecidas com as de um dia muito quente, quando você chega suado no escritório. Veja mais esse link do Vá de Bike!: Minha empresa não tem chuveiro, como eu faço?.

E as mulheres? Nesse mesmo link do Vá de Bike! há um vídeo com dicas de uma ciclista para cuidar do cabelo. A menos que você, mulher, use somente roupas casuais ao pedalar, o resto se aplica da mesma maneira.
Levar uma roupa bem dobrada, cuidar da maquiagem no banheiro quando chegar, deixar os sapatos no escritório, e pronto!
Veja o vídeo aqui:

 

Dá até pra usar roupa social sem problemas. Basta dobrar as calças e camisas direitinho. Para evitar qualquer amassado na camisa, coloque-a dentro de uma pasta, dessas de escritório, não deixando de protegê-la da água com os infalíveis saquinhos.

Aproveite o ar condicionado do escritório. Ambientes com ar condicionado são muito secos (por isso é importante beber água e não abusar do uso contínuo do monitor). Dessa forma, tente deixar em algum canto o que tenha se molhado, como luvas ou o par de meias.

Mesmo com uma chuva forte, você pode chegar protegido da água, ao menos o torso e cabeça. Mas se você não se importa com isso, cuide apenas das coisas na mochila e pedale como o Alexandre Cruz; veja esse vídeo produzido no caminho que ele faz diariamente, num dia de temporal:

 

FinishLine para lama e chuva
Se há chuva, não importa como você se protege: é necessário cuidar da bicicleta!
As partes mecânicas móveis precisam de uma lubrificação ideal para muita água. Na corrente e na relação (câmbios traseiros e dianteiros) use um óleo lubrificante especial.

 

Nas ruas da cidade há muita sujeira. Com água, essa sujeira desgasta muito as sapatas dos freios e podem também arranhar o aro das rodas. Tenha sempre com você sapatas sobressalentes, se você usa sapatas tipo refil, que são mais práticas; para as inteiriças, fica mais difícil . Se usa freios a disco terá um problema a menos, pois enfrentam água, sujeira e lama com muito mais eficiência.

sapata vbrake

Sapatas VBrake peça inteira

sapata vbrake refil

Sapatas VBrake com refil

 

Se você está na estrada de speed ou um pedal tipo cicloturismo ou ainda na trilha de mountain bike, não tem nada que se proteger dessa forma. Isso deve servir somente para você poder chegar no trabalho ou escola de maneira que consiga secar-se rapidamente ou evitar o excesso de água. Num pedal fora das ruas da cidade, tem mais é que aproveitar a chuva, protegendo apenas suas coisas, como documentos e/ou aparelhos eletrônicos.

Aproveite a chuva, desfrute das ruas. Cuidado com o chão mais escorregadio e com os freios que não pegam igual. Mais cuidado com os motoristas, que já não conseguem enxergar normalmente, e em dias de chuva ficam totalmente abobalhados e cegos. Seja visível e previsível. Acenda sempre as luzes.
Em ruas muito alagadas, não se arrisque! Você não poderá ver os bueiros abertos e outros obstáculos.
Eu venho e volto do trabalho e para casa todos dias com minha bicicleta, não importa o tamanho do temporal; todos no escritório me invejam, pelo tempo que levo, pela diversão que consigo ter ao pedalar e pelo ânimo que tenho. Mesmo que os que me acham louco também me invejam. E na verdade não estou nem aí pro que sentem ou pensam.

A gente se vê lá fora! Bom pedal!

 

 

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