Corujão da Solidariedade :: 2 de Junho

18, maio, 2010
Um passeio do grupo Starbikers

Um passeio do grupo Starbikers

O grupo Starbikers existe há quase 10 anos. Um dos mais tradicionais e famoso por fazer alguns dos roteiros mais ‘puxados’ na noite da cidade.

COMO COMEÇOU
Uma noite dessas, já se vão uns anos, na véspera de um feriado e logo após o término de um passeio, alguns ciclistas ficaram juntos e sugeriram continuar o rolê pela cidade.
A noite estava agradável, haviam várias pessoas muito a fim de continuar pedalando, inclusive o guia, o Prê, e o dia seguinte seria livre pra todos. Naquela noite teve início uma das tradições do Starbikers: o Corujão.

(Quase) sempre nas vésperas de feriados na cidade de São Paulo, o grupo Starbikers faz um passeio que termina entre 1h30 e 2h da manhã. O trajeto fica perto dos 60km rodados, mas em um ritmo bem tranquilo, passeio sossegado, onde todos podem acompanhar e curtir a cidade.

E já está marcado o próximo, véspera do feriado de Corpus Christi, dia 02 de junho.
Para quem não for viajar, excelente oportunidade para pedalar pelas ruas de São Paulo.

Haverá parada para descanso e lanche. O local de saída é na Pizzaria Piu Bella, na Rua 11 de Junho, 372.
Chegue antes das 21h; a saída está marcada para as 21h15.

O grupo está fazendo passeios beneficentes, e pede que todos colaborem com R$ 5,00.
O dinheiro arrecadado será convertido em produtos a serem doados ao Lar de Senhoras São Vicente de Paulo, localizado na Rua Turiassú, Lapa. Provavelmente o grupo passará em frente ao asilo, e você verá onde seu dinheiro será usado.

As dicas de segurança são as mesmas de sempre, ou seja, bike em perfeitas condições, o capacete é obrigatório, e fones de ouvido são proibidos.
Em caso de chuva o passeio será automaticamente cancelado.

Eu vou! e te esperarei lá.

Wlad Bike

Começou a “Operação Tempestade no Cerrado”

15, março, 2010
Sorria, seu cérebro está sendo alvejado.

Sorria, seu cérebro está sendo alvejado.

O PT é um partido sem mídia…
O PSDB é uma mídia com partido…

texto de Mauro Carrara

“Tempestade no Cerrado” é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.

A expressão é inspirada na operação “Tempestade no Deserto”, realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.

Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.

A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.

A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.

As conversas tensas nos “aquários” do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

  1. Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.
  2. Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.
  3. Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.
  4. Elevar o tom de voz nos editoriais.
  5. Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.
  6. Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.
  7. Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.
  8. Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.

Quem está por trás

Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral.

É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.

A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.

Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.

O conteúdo

As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.

Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e “vetada” pelo TCU.

Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.

Criam deturpações numéricas.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” está fadado ao fracasso.

Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas.

O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.

Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.

A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.

A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.

Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.

É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.

Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.

É o caso da “bomba” requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai “admitir” (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.

Crimes anônimos na Internet

Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.

Três deles merecem destaque…

  1. O “Bolsa Bandido” Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.
  2. Dilma “terrorista” Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”.
  3. O filho encrenqueiro De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.

O que fazer

Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.

Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.

Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.

São cinco as tarefas imediatas…

  1. Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez em quando, contextualizando os fatos.
  2. Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.
  3. Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.
  4. Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.
  5. Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHA, Grupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.

A guerra começou. Não seja um desertor.

Mauro Carrara é jornalista, nascido em 1939, no Brás, em São Paulo. É o segundo filho de Giuseppe Carrara, professor de Filosofia em Bologna, e de Grazia Benedetti, uma operária e militante comunista de Nápoli. O casal chegou ao Brasil em 1934, fugindo da perseguição fascista. Mauro foi para a Itália em 1959, por sugestão do amigo dramaturgo G. Guarnieri. Em Firenze, estudou arte, ciências sociais e comunicação. De volta ao Brasil, passou dois anos na Amazônia. Ao atuar na defesa dos povos indígenas, foi preso pelo regime militar. Libertado, voltou à Itália. Como free-lancer, produziu reportagens para jornais como L’Unita e Il Manifesto. Com o primo Antonino, esteve no Vietnã, no início da década de 70. Em 1973, no Chile, juntou-se à resistência ao golpe contra Allende. No Brasil, como clandestino, aproximou-se do cartunista Henfil, cujos trabalhos traduziu para uma revista alternativa italiana. Na década de 80, prestou serviços para a ONU em países como China, Iraque e Marrocos. Nos anos 90, assessorou ONGs brasileiras, especialmente na área de Direitos Humanos. Ainda atua na área de comunicação e relações internacionais.

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Rota Cicloturística Márcia Prado

15, dezembro, 2009

 

Rota Márcia Prado

Rota Márcia Prado

 

Nesse sábado será inaugurada a Rota Ciclística Márcia Prado.

Muitos ciclistas estão trabalhando nisso faz tempo. O Instituto CicloBR, com o André Pasqualini, esteve à frente da organização disso, junto a outras entidades públicas.

A própria Márcia, que dá o nome para o trajeto como uma homenagem, esteve entre os ciclistas que ajudaram a desbravar os caminhos por esse pedacinho de Mata Atlântica. Nesse texto do André você encontra um emocionante relato do encontro de ciclistas que desceram a Imigrantes, na última viagem que Márcia fez com eles.

Normalmente os paulistas só conseguem ver um pouquinho da Mata de dentro de seus carros, quando descem a Serra. Estar alí, no meio do mato e sentir o seu cheiro, escutar seus ruídos, poder ver de perto os animais.. não existe nada que se pareça à experiência real.

Eu já desci a Serra de bicicleta por vários caminhos; pela Estrada Velha, pela Calçada do Lorena, pela Estrada da Manutenção.. é sempre ótimo, e difícil pensar que estamos tão perto dessa cidade gigantesca e cinza.

O trajeto começa na Estação da CPTM do Grajaú, passa por São Bernardo do Campo, Cubatão e termina em Santos, passando em grande parte dentro do Parque da Serra do Mar, e no total tem 77 km.

Apesar de descer a Serra, existem subidas pelo caminho.
Eu recomendo que a Rota seja percorrida de bicicleta apenas por quem tem um mínimo de experiências em trilhas de mountain bike, tanto no preparo físico como no técnico. Não é nada muito difícil, já que quase todo o trajeto é sobre asfalto e sem subidas fortes ou descidas muito técnicas. Mas pode não ser prazeiroso para quem nunca fez passeios de bike.

Além disso, o ciclista deve prever por sua conta como fará depois para subir a Serra. Na rodoviária de Santos, as empresas estão acostumadas a receber ciclistas; guardam as bikes no bagageiro e vão todos para o Terminal Jabaquara.

Veja aqui nesses links mais informações para você poder curtir a Rota Cicloturística Márcia Prado:

 

 

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Ciclocidade já existe. E agora?

29, novembro, 2009
Ciclocidade no ar! No chão e na cidade!

Ciclocidade no ar! No chão e na cidade!

O ato da fundação da Ciclocidade foi muito muito bom, depois de muita luta, muita discussão, empenho de muitas pessoas, gente incrível que deu seu tempo e dinheiro pra isso acontecer.

(Mais fotos da fundação do Mathias, da Laura, do Eduardo, do Pedalante e minhas)

No ato, participando da reunião, vi poucas pessoas de grupos da noite. Reconheci a Renata, do seminal NightBikers, e Tereza, do SaiaNaNoite. Mas esses ciclistas, os que usam a bicicleta para lazer, não são o alvo, o nosso público.
No geral, muitos rostos conhecidos, de outras Bicicletadas, eventos, atividades, enfim.
Mas nunca encontro essas pessoas pedalando pelas ruas, as que estavam no Ato e todos os outros ciclistas que conheço que participam desses grupos. É raríssimo isso acontecer.

Na cidade de São Paulo são feitos 350 mil trajetos por dia de bike (os números são contraditórios e incompletos, haja vista que não foi feito ainda nenhum levantamento sério, mas alguns dados podem ser vistos no site da ANTP e também no NossaSãoPaulo e aqui também, uma discussão sobre estatísiticas no site da ViaCiclo, e mais números do Rio de Janeiro pelo RodasDaPaz ; ter números mais precisos será uma atribuição de nossa nova Associação).

Seo Zé, pedala das 6h às 23h catando papelão. Foto: Pedalante

Seo Zé, pedala das 6h às 23h catando papelão. Foto: Pedalante

Ali, naquele evento de fundação, somos quase nada. Não significamos uma ínfima parcela de ciclistas da cidade de São Paulo.
Na rua nunca encontro nenhum destes ciclistas. No entanto sempre cruzo com dezenas, centenas de outros ciclistas todos os dias: trabalhadores, estudantes, cidadãos de toda a cidade, carregando, levando e trazendo mercadorias, indo e voltando pro trabalho, pra casa, pra escola.

Não sabem usar as leis, não sabem se defender, não conhecem seus direitos.
Carros, motos, ônibus e caminhões violam seus direitos todos os dias, todos os momentos, retirando deles o direito de usar a cidade, usufruir a cidade.
Os motoristas tambem não conhecem seus direitos e deveres. E mesmo quando sabem vale mais o jeitinho, o ‘sou mais eu’, ‘sabe com quem está falando?’.

Carros em vagas de idosos e deficientes

Carros em vagas de idosos e deficientes

Eu tenho pavor de sair às ruas, mas ainda assim me jogo na frente desses rinocerontes bêbados, para exigir meu direito e ameaçar seu espelhinho. Ele quebra a minha perna e até me mata, mas não amassaria sua lataria.
Quero agora que nossa associação me dê recursos para que eu possa usufruir e pedalar na cidade com mais prazer, alegria, segurança.

Ghost bike para Fernando e Antonio - irmão de Fernando escreve uma mensagem na bike.

Ghost bike para Fernando e Antonio - Marcelo, irmão de Fernando.

E que márcias, antonios, marios, josés não percam a vida por causa de 2 minutos da pressa de algum carrocrata.

Que o dia em que usaremos toda a cidade para seres humanos chegue em breve. Feito Portland, San Francisco, Copenhagen, ou mesmo cidades aqui da América Latina, que te dão muito mais segurança e te acolhem como pessoa. Bogotá, Montevideo, tantos lugares, o mundo todo.
Quero que minha cidade também mereça o meu respeito.

Creio que a luta da Ciclocidade agora é essa: conectar todos os ciclistas, criar comunicação entre todos eles e os poderes públicos e privados que direta e indiretamente influenciam no nosso trânsito pelas ruas da cidade; tornar o ato de pedalar em algo viável para mais pessoas, e para quem já pedala em uma ação mais transformadora e prazerosa.

Como disse Thiago Benicchio, primeiro diretor geral da Ciclocidade no ato de fundação da associação, pedalar te transforma, transforma a sua cidade. Eu pedalo.

Wlad Bike ,